Léo;
Alguns dias atrás jogaram sobre mim minha condição de intolerante. Disseram-me que sou intolerante, porém não concordo. Creio que eu seja transparente. Do que gosto, trato bem, dou carinho, sorrio. Pro que não gosto fecho a cara, olho feio e reclamo. Meu corpo não consegue esconder o que há por dentro, eu sou impetuoso. O que sinto, demonstro, involuntariamente. Por isso trato mal e sou cruel, mas com a mesma intensidade amo e trato bem. Sou assim porque não consigo ser de outra forma. Parafraseio aqui a frase clichê-mór de Fernando Pessoa quando diz que tem em si todos os sonhos do mundo e posso soar um completo um imbecil mas respondo a ele agora: Eu tambem!
E tenho todos os sonhos do mundo com tanta força, quero ser tanta coisa ao mesmo tempo e ter tanta coisa ao mesmo tempo que não consigo me organizar mas odeio o que me impede de sonhar. O que me impede de ser o que desejo. De ter o que desejo.
Desejo parar de trabalhar, mas quero ir morar sozinho. Desejo estudar fora de São Paulo mas não quero abandonar meus amigos. Desejo ter-te novamente, mas quero resolver minha vida primeiro. Desejo resolver minha vida e desejo morrer, simultaneante.
Desejo teu corpo sobre mim e muita baba e suór e um filho, o Harmony, ou talvez o Elliott, ou o Alex ou o Kim, ou talvez a Harmony, e a Elliott, e a Alex e a Kim, desejo parar de fumar e um cigarro agora mesmo, desejo viajar sozinho pra conhecer a solidão de perto, mas tenho medo. Desejo ter coragem pra te pedir em casamento quando a hora chegar, desejo dinheiro e reconhecimento e muita história pra contar, mas eu abro mão de tudo por ti. Tu na minha casa, num barraco, eu estéril, pobre, feio e doente, mas contigo do meu lado eu serei Deus.
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