Léo;
Te quiero mucho.
sexta-feira, 6 de novembro de 2009
quarta-feira, 4 de novembro de 2009
Léo;
Venho pensado cada dia mais em morte. Eu não gosto de fazer o Wherter kind of style. Eu gosto de sorrir, mas cada vez que abro a boca, alguém invisível e mais forte esmurra a minha cara. E isso acontece repetidamente, toda vez que tento ser feliz. O que me consola é saber que sou jovem e que o tempo destrói tudo. Sei que um dia o mundo acabará e poderei sorrir e ninguém estará vivo até lá para me esmurrar. O mundo todo virando um cogumelo de fogo e eu vou implodir, adentrar em mim, me transformar numa tartagura e rir dentro de mim. Mas agora não. Agora eu só penso em morte, e é involuntário. Eu queria estar em Hiroshima. Queria sentir o cheiro de todas aquelas pessoas mortas e talvez até beijar uma na boca, porque minha vida é tão melhor que a de todo mundo, mas eu nasci doente, eu nasci sem vontade de viver, e é isso que me perturba. Não adianta tu me chamar de mimado, tu me mostrar como a minha vida é boa. Eu sei disso, eu realmente sei. Eu apenas não ligo a mínima. Eu estou triste, estressado e pensando em morte, como geralmente acontece. Eu queria ser comido por uma tribo canibal. Eu não ligo a mínima. Mate-me ou mate a minha família, nada mais importa. Tristeza pela tristeza, não tenho vontade de viver. Vou me deitar ali e esperar tu me trazer café. Mais um cigarro e o gosto da morte perfuma toda a minha boca. Na verdade só tem gosto de cascalho quente. Minha mãe devia ter me trocado na maternidade, porque eu vim com defeito. Moço, meu filho nasceu meio estranho, olha esses olhos, não param de chorar...
Há pessoas passando fome na África, há mulheres sendo torturadas no Irã. Ninguem sou eu, tenho dinheiro, amigos e saúde, apenas sou frio por dentro, e nada disso faz sentido.
Venho pensado cada dia mais em morte. Eu não gosto de fazer o Wherter kind of style. Eu gosto de sorrir, mas cada vez que abro a boca, alguém invisível e mais forte esmurra a minha cara. E isso acontece repetidamente, toda vez que tento ser feliz. O que me consola é saber que sou jovem e que o tempo destrói tudo. Sei que um dia o mundo acabará e poderei sorrir e ninguém estará vivo até lá para me esmurrar. O mundo todo virando um cogumelo de fogo e eu vou implodir, adentrar em mim, me transformar numa tartagura e rir dentro de mim. Mas agora não. Agora eu só penso em morte, e é involuntário. Eu queria estar em Hiroshima. Queria sentir o cheiro de todas aquelas pessoas mortas e talvez até beijar uma na boca, porque minha vida é tão melhor que a de todo mundo, mas eu nasci doente, eu nasci sem vontade de viver, e é isso que me perturba. Não adianta tu me chamar de mimado, tu me mostrar como a minha vida é boa. Eu sei disso, eu realmente sei. Eu apenas não ligo a mínima. Eu estou triste, estressado e pensando em morte, como geralmente acontece. Eu queria ser comido por uma tribo canibal. Eu não ligo a mínima. Mate-me ou mate a minha família, nada mais importa. Tristeza pela tristeza, não tenho vontade de viver. Vou me deitar ali e esperar tu me trazer café. Mais um cigarro e o gosto da morte perfuma toda a minha boca. Na verdade só tem gosto de cascalho quente. Minha mãe devia ter me trocado na maternidade, porque eu vim com defeito. Moço, meu filho nasceu meio estranho, olha esses olhos, não param de chorar...
Há pessoas passando fome na África, há mulheres sendo torturadas no Irã. Ninguem sou eu, tenho dinheiro, amigos e saúde, apenas sou frio por dentro, e nada disso faz sentido.
terça-feira, 27 de outubro de 2009
Léo;
Hoje voltei para casa e encontrei meus pais brigando por causa de uma briga de 4 anos atrás. Minha irmã no quarto treinando sua "cara de orgasmo". E meus vizinhos brincando de pega-pega pelados. Welcome home.
Hoje voltei para casa e encontrei meus pais brigando por causa de uma briga de 4 anos atrás. Minha irmã no quarto treinando sua "cara de orgasmo". E meus vizinhos brincando de pega-pega pelados. Welcome home.
segunda-feira, 26 de outubro de 2009
Léo;
O mundo está em colapso. Nada faz sentido. Não adianta tentar. A vida é medíocre. As pessoas são desprezíveis. Persistir é o que resta. O otimismo está morto. A honestidade está morta. Só os de caráter falso sobrevivem. Arriscar a vida parece ser a coisa mais racional a fazer. Loucos são fracos, o excentrismo é o futuro. O excentrismo é o gene dominante. Não ter nada a perder é um estilo de vida. Arriscar e arriscar e arriscar. Não planeje, apenas jogue. Não tenha planos. Não faça planos. Planos dão errado. Viva espontaneamente. Grite se quiser. Vá em frente. Tente de novo. Invista em si mesma. Não é possível prever o futuro. Não faça planos. Não seja otimista. Somente quando chegamos no fundo do poço é que aprendemos a viver. Não planeje, apenas viva. A vida não faz sentido. As pessoas não fazem sentido. Não planeje, apenas viva. O otimisto está morto. Tudo dará errado. Não planeje, apenas viva. Arrisque-se.
O mundo está em colapso. Nada faz sentido. Não adianta tentar. A vida é medíocre. As pessoas são desprezíveis. Persistir é o que resta. O otimismo está morto. A honestidade está morta. Só os de caráter falso sobrevivem. Arriscar a vida parece ser a coisa mais racional a fazer. Loucos são fracos, o excentrismo é o futuro. O excentrismo é o gene dominante. Não ter nada a perder é um estilo de vida. Arriscar e arriscar e arriscar. Não planeje, apenas jogue. Não tenha planos. Não faça planos. Planos dão errado. Viva espontaneamente. Grite se quiser. Vá em frente. Tente de novo. Invista em si mesma. Não é possível prever o futuro. Não faça planos. Não seja otimista. Somente quando chegamos no fundo do poço é que aprendemos a viver. Não planeje, apenas viva. A vida não faz sentido. As pessoas não fazem sentido. Não planeje, apenas viva. O otimisto está morto. Tudo dará errado. Não planeje, apenas viva. Arrisque-se.
quinta-feira, 22 de outubro de 2009
quarta-feira, 21 de outubro de 2009
terça-feira, 20 de outubro de 2009
Léo;
Los Angeles, 10 de Janeiro de 2010.
Faz uma semana que aqui estou e ainda não saí do meu quarto, no décimo sexto andar. Como sabes, vim para cá para conhecer a solidão de perto e creio que esteja indo muito bem no meu objetivo. Faz três dias que penso em suicidio e ontem comecei a ouvir vozes. A janela me chamava para perto, sussurrava que queria falar comigo, pertinho do meu ouvido. Continuo tendo medo de tudo, principalmente no banho. Tenho medo de escorregar e cair de cara no ralo, desmaiar e morrer afogado na água acumulada. E medo de sair daqui. Estou sozinho, e era isso o que eu queria, não há amigos nem família e eu posso fazer o que quiser, e eu quero ficar nesse quarto o dia inteiro, sem tomar banho, sem comer e sem pensar. Mas eu não consigo dormir. Todo esse tempo sem dormir atrofiou meu cérebro e eu não durmo mais, e eu quero dormir, mas não consigo, eu só fico deitando na cama, encarando a luz fraca no teto e tendo medo da parede e dos gemidos do casal no quarto ao lado.
O calor é insuportável e eu tiro a minha roupa, me masturbo muitas vezes ao dia, até ficar exausto, e tento dormir de novo, mas falho outra vez. Mas tiro fotos. Fotos e mais fotos desse mesmo quarto, em todos os ângulos e posições, horários e dias. Eu quero me lembrar de quanto eu encarei a morte de frente. Fui à janela e olhei dentro do olho da morte e disse "Vem, sua puta, que de você eu não tenho medo", eu tenho medo é da vida, do amor, a morte é companheira, a morte faz a vida tolerável, a tranquilidade de saber que vou morrer é o que me mantem vivo.
Tento escrever também, mas nada sai de minha mente. O vazio desse quarto é o vazio que há em mim. Tu sabes como é ter o estômago vazio e o peito cheio de fumaça?
Eu saí de São Paulo pra fugir do conhecido e aqui conheci a solidão e a morte de perto, minhas companheiras de anos, mas a quem eu nunca havia sentido a presença com tanta singularidade. É quando nos vemos longe de tudo e sem saída que os verdadeiros amigos aparecem. Comigo caminha a solidão, que está em tudo onde há nada, como dentro de mim, e neste quarto. Comigo caminha morte, que é essa coisa atrás de mim dizendo que no fim é ela quem vai me embalar, e dormir de conchinha comigo, me fazendo carinho e perguntando de quinze em quinze minutos se está tudo bem, porque se não estiver, eu sei que posso contar com ela.
Los Angeles, 10 de Janeiro de 2010.
Faz uma semana que aqui estou e ainda não saí do meu quarto, no décimo sexto andar. Como sabes, vim para cá para conhecer a solidão de perto e creio que esteja indo muito bem no meu objetivo. Faz três dias que penso em suicidio e ontem comecei a ouvir vozes. A janela me chamava para perto, sussurrava que queria falar comigo, pertinho do meu ouvido. Continuo tendo medo de tudo, principalmente no banho. Tenho medo de escorregar e cair de cara no ralo, desmaiar e morrer afogado na água acumulada. E medo de sair daqui. Estou sozinho, e era isso o que eu queria, não há amigos nem família e eu posso fazer o que quiser, e eu quero ficar nesse quarto o dia inteiro, sem tomar banho, sem comer e sem pensar. Mas eu não consigo dormir. Todo esse tempo sem dormir atrofiou meu cérebro e eu não durmo mais, e eu quero dormir, mas não consigo, eu só fico deitando na cama, encarando a luz fraca no teto e tendo medo da parede e dos gemidos do casal no quarto ao lado.
O calor é insuportável e eu tiro a minha roupa, me masturbo muitas vezes ao dia, até ficar exausto, e tento dormir de novo, mas falho outra vez. Mas tiro fotos. Fotos e mais fotos desse mesmo quarto, em todos os ângulos e posições, horários e dias. Eu quero me lembrar de quanto eu encarei a morte de frente. Fui à janela e olhei dentro do olho da morte e disse "Vem, sua puta, que de você eu não tenho medo", eu tenho medo é da vida, do amor, a morte é companheira, a morte faz a vida tolerável, a tranquilidade de saber que vou morrer é o que me mantem vivo.
Tento escrever também, mas nada sai de minha mente. O vazio desse quarto é o vazio que há em mim. Tu sabes como é ter o estômago vazio e o peito cheio de fumaça?
Eu saí de São Paulo pra fugir do conhecido e aqui conheci a solidão e a morte de perto, minhas companheiras de anos, mas a quem eu nunca havia sentido a presença com tanta singularidade. É quando nos vemos longe de tudo e sem saída que os verdadeiros amigos aparecem. Comigo caminha a solidão, que está em tudo onde há nada, como dentro de mim, e neste quarto. Comigo caminha morte, que é essa coisa atrás de mim dizendo que no fim é ela quem vai me embalar, e dormir de conchinha comigo, me fazendo carinho e perguntando de quinze em quinze minutos se está tudo bem, porque se não estiver, eu sei que posso contar com ela.
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